C a p i m



















A ERA DA ANSIEDADE.

Por todos os aspectos exteriores, a vida é uma centelha de luz entre duas escuridões eternas. Esse intervalo entre duas noites não é um dia sem nuvens, pois quanto mais predispostos nos encontramos para sentir prazer, mais vulneráveis ficamos à dor e, tanto interna como externamente, a dor está sempre conosco. Acostumamo-nos a dar a essa existência um certo valor, pela crença de que exista mais do que o mundo exterior, de que, além desta vida, viveremos ainda no futuro. No que diz respeito aos seus aspectos exteriores, a vida não faz sentido. Se viver é terminar o homem em dor, sem nada, e sem se sentir realizado, parece antes ser uma experiência fútil e cruel, para seres que nasceram para pensar, desejar, criar e amar. O homem, como ser racional, almeja ter uma vida também racional, e custa lhe crer que ela realmente assim seja, a menos que exista algo mais além do que ele pode ver – a menos que exista uma ordem e uma vida eterna por trás da experiência incerta e momentânea da vida e da morte.


(Introdução ao volume “A sabedoria da insegurança”. Alan W. Watts, 1951)